Invento aquelas palavras
Que queria que me dissesses
E que sinto pudor de transcrever
Essas juntam-se às palavras ditas
E configuram o verdadeiro discurso
Do meu ser
Sinto o cheiro imaginado
Na roupa que vesti
Usando a imaginação por completo
Esse junta-se ao cheiro cheirado
E alcança os limites
Do meu desejo repleto
Imaginado, vivido
Ausência de quando em quando
Presença de quando em vez
E eu ansiando pela união de tudo
Desde a fragmentação da minha pequenez
Mas quero-te num momento
Acima do ter e do não ter
Do medo, da culpa, da razão
E sei-o porque o único canal
totalmente aberto
É aquele por onde flui
nua e ardente
a plena essência da minha paixão
(Sai para a rua vazia de gente
Cuidado não esteja alguém a ver-te
Abre a porta da cozinha ao cão
E deixa a chave debaixo do tapete)
Isabel Bita Gomes
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