domingo, 28 de janeiro de 2024

A CHAVE DEBAIXO DO TAPETE

Invento aquelas palavras 

Que queria que me dissesses

E que sinto pudor de transcrever


Essas juntam-se às palavras ditas 

E configuram o verdadeiro discurso

Do meu ser


Sinto o cheiro imaginado

Na roupa que vesti

Usando a imaginação por completo 


Esse junta-se ao cheiro cheirado

E alcança os limites

Do meu desejo repleto


Imaginado, vivido

Ausência de quando em quando 

Presença de quando em vez


E eu ansiando pela união de tudo

Desde a fragmentação da minha pequenez


Mas quero-te num momento 

Acima do ter e do não ter

Do medo, da culpa, da razão 


E sei-o porque o único canal  

totalmente aberto

É aquele por onde flui

nua e ardente 

a plena essência da minha paixão 



(Sai para a rua vazia de gente

Cuidado não esteja alguém a ver-te

Abre a porta da cozinha ao cão 

E deixa a chave debaixo do tapete)



                                                                                                            Isabel Bita Gomes

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